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SP: Exposição FotoPreta abre espaço para profissionais negros

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A FotoPreta, exposição fotográfica coletiva formada integralmente por fotógrafos e fotógrafas negros, ocorrerá na Estação Eucaliptos do metrô da cidade de São Paulo, com curadoria do coletivo Afrotometria, a partir de amanhã (1º). É a segunda edição da mostra independente e reúne o trabalho de dez artistas. No início de agosto, a mostra segue para a Estação Brooklin do metrô.

Integrante do coletivo Afrotometria, o fotógrafo Fernando Solidade Soares destaca a importância de ocupar espaços com a produção de profissionais negros. “Há no mercado hoje atuando e desenvolvendo trabalhos sistematicamente, trabalhos de qualidade, trabalhos com narrativas de fotógrafos pretos e fotógrafas pretas, porém não vemos esses trabalhos ocupando espaços de exposições, ocupando galerias ou disputando narrativas nas produções impressas, em livros e revistas. A gente tem um apagamento social dessa função”, disse.

Ele contou que, por falta de acesso a esses espaços e pelas inúmeras dificuldades de fotógrafos que trabalham com a criação de narrativas e o desenvolvimento artístico da fotografia, o coletivo decidiu montar a exposição FotoPreta de maneira autônoma e independente, com recursos dos próprios fotógrafos, a fim de desenvolver e criar espaço para suas produções.

“A dificuldade de acesso a espaços de criação de narrativa está dentro desse conceito do Brasil de que nunca vê potencial de uma mente pensante na figura do negro ou na figura indígena, por exemplo. A gente sempre ocupa os espaços de maneira estereotipada”, disse Soares, citando o rótulo de “marginal” a que a juventude negra é submetida pela polícia, por exemplo.

Para ele, romper com esse imaginário hegemônico atual e disputar espaço nas exposições, nas galerias e o acesso às mídias como um todo – televisiva, impressa ou internet – é uma dificuldade diária para a população negra. “Mais do que juntar fotógrafos pretos e fotógrafas pretas em uma exposição, a gente está juntando visões de mundo, narrativas e essa narrativa, apesar de ter foco na negritude, tanto no viés de quem está criando quanto no viés das imagens em si, ela é plural, ela não é um olhar único”.

O fotógrafo destaca que a diversidade é necessária para que o Brasil avance no reconhecimento de que ele é um país múltiplo e plural. “Sempre que a gente pega o cinema, quando retrata a periferia, os seus criadores não são periféricos. Quando a gente pega grandes produções que tratam da negritude, mesmo que trate de maneira respeitosa, muitas vezes elas não têm, dentro do processo de]criação, essa população. Sempre a gente é objeto seja de encanto, seja de marginalização na boca desse outro, e esse outro sempre é o branco”.

“Cada ação feita pelo coletivo, no sentido de ir alargando esse espaço de criação, de dar vozes a outras vozes que não estão o tempo inteiro em contato com a população, vai fortalecendo na criação de um imaginário que a gente precisa alterar. Porque da forma que está, da forma que o racismo se impõe e impera,não dá mais”, afirmou Soares. “Produção do imaginário ainda é espaço exclusivo de alguns meios, de algumas estruturas, de algumas formas de como conduzir a produção de conteúdo no nosso território, tanto produção quanto consumo”.

Os artistas participantes são Bruno Pompeu, Daisy Serena, Georgia Niara, Fernando Solidade Soares, Hudson Rodrigues, Iná Henrique Dias, Isabela Alves, Nego Junior, Sérgio Fernandes e Tiago Santana.



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